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Casos como o do menino autista baleado nos EUA acontecem 'com certa frequência' no Brasil, diz vice-presidente da AMA



Casos como o de Linden Cameron, menino autista de 13 anos baleado por policiais durante uma crise nervosa, nos Estados Unidos, são comuns no Brasil, de acordo com o vice-presidente da Associação de Amigos do Autista da Bahia (AMA-BA), Leonardo Martinez.
O caso, que gerou revolta nas redes sociais, aconteceu na última sexta-feira (4), em Salt Lake City, no estado americano de Utah. A mãe do garoto, Golda Barton, afirmou à imprensa local que ligou para o número de emergência 911, que nos Estados Unidos engloba polícia e serviços de saúde, pedindo por uma equipe de intervenção médica porque seu filho estava tendo uma crise de ansiedade.
No entanto, o chamado foi atendido por dois policiais, que apontaram as armas para Cameron, gritando para que ele se deitasse no chão, segundo o relato da mãe. Quando o menino começou a correr, eles dispararam várias vezes.
"Apesar de ter acontecido nos Estados Unidos, isso infelizmente é uma situação que acontece com certa frequência no nosso país", diz o vice-presidente da AMA. Na avaliação de Leonardo, que também é conselheiro estadual da Rede Unificada Nacional e Internacional pelos Direitos dos Autistas (Reunida) e do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Salvador, além de pai de um adolescente com autismo, não há justificativa para a forma como os policiais abordaram o garoto americano.
"A polícia deveria atuar de forma não letal, com técnica, para conter o garoto e entregá-lo ao serviço de saúde. Não existe qualquer justificativa para uso de arma de fogo contra um adolescente deficiente [...] Se dois [policiais] não resolvessem, chamasse reforço, chamasse quatro, chamasse dez", diz.  /Por: Reprodução/Facebook 


De acordo com a mãe de Linden Camaeron, o garoto está hospitalizado em estado grave com ferimentos nos intestinos, na bexiga, no ombro e nos calcanhares.
Capacitação
Para evitar tragédias como a do menino americano, a AMA-BA iniciou há cerca de dois anos um trabalho com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e a Polícia Militar para oferecer palestras e capacitações técnicas para policiais saberem como lidar com pessoas com autismo.
De acordo com Martinez, a iniciativa visa orientar o agente de segurança pública sobre as características e como se comporta uma pessoa com autismo.
"É importante que o policial tenha uma noção, um conhecimento sobre isso, porque pode ser que ele, por exemplo, se depare com uma pessoa com autismo, dê uma ordem de parada, 'bote a mão na cabeça, faça isso, faça aquilo', e a pessoa com autismo não compreenda, não atenda essa ordem, e isso pode terminar gerando uma tragédia, gerando um problema, porque o policial pode se sentir ameaçado", explica.
"Nós percebemos que depois desse trabalho que estamos fazendo aqui na Bahia, as coisas melhoraram muito", acrescenta. No próximo dia 8 de outubro, a associação vai realizar uma live com a Secretaria de Segurança Pública para discutir o tema.

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