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Depoimento de Flávio Bolsonaro sobre suposto funcionário fantasma tem contradição

Pedro França/Agência Senado
Osenador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) afirmou em depoimento ao Ministério Público do Rio que um assessor de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, suspeito de ter sido funcionário-fantasma, ajudou nos trabalhos de uma comissão que, segundo apuração do jornal O Globo, funcionou seis anos antes de ele ter sido nomeado.
Aos promotores que investigam o caso da “rachadinha”, Flávio citou como exemplo de atribuição de Wellington Sérvulo Romano da Silva o auxílio em um comissão que tratou de agentes expulsos da Polícia Militar. O colegiado, segundo os registros da Alerj, funcionou de 25 de junho a 10 de dezembro de 2009. Sérvulo, no entanto, esteve nomeado no gabinete de Flávio entre abril de 2015 e setembro de 2016.
“Teve uma época que fiz uma comissão especial para rever as exclusões na PM, exclusões injustas na Polícia Militar. Ouvimos dezenas de policiais. O Sérvulo trouxe alguns casos para nós. Inclusive, se não me engano, em torno de dez ou 12 chegaram a ser integrados por conta desse trabalho que a gente fez na comissão”, disse o senador no depoimento, que ocorreu em 7 de julho.
Antes desta resposta, Flávio havia argumentado que uma das funções de seus funcionários era a de apresentar a ele demandas de setores como a Polícia Militar:
“O critério para vir trabalhar no gabinete parlamentar, além do critério técnico e da competência, é o critério da confiança. O Sérvulo sempre foi uma pessoa com uma proximidade do (Fabrício) Queiroz, uma pessoa que gosto muito e trabalhava para mim também nesse tipo de (coisa de) trazer demandas de policiais militares para o gabinete”.
De acordo com um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Sérvulo repassou R$ 1,5 mil a Queiroz em 2016. O documento mostra ainda que ele movimentou R$ 1,59 milhão de janeiro de 2015 até 2018.
No período em que esteve nomeado por Flávio, Sérvulo passou 248 dias em Portugal. A Alerj jamais foi informada sobre qualquer licença. Aos promotores, Flávio afirmou que Sérvulo “não comparecia diariamente” e que, quando foi nomeado, tinha direito a férias anteriores e a licenças. O senador disse ainda que o ex-assessor morava no Brasil, mas alguns familiares dele viviam em Portugal.
Logo no início do depoimento, o senador foi questionado sobre quem foram e como escolheu seus chefes de gabinete. Flávio respondeu que não se recordava:“São cargos em confiança. Então logo no início do mandato, formação de equipe, não lembro agora, de cabeça, as pessoas que passaram na chefia de gabinete minha, mas sempre com critério ali de competência, proximidade, entendimento de legislação militar”, afirmou ele, ao dizer que o último foi o coronel Miguel Ângelo Braga Grillo.
A defesa do senador disse que “tem recebido com perplexidade as notícias de vazamento das peças e áudios do procedimento que tramita sob sigilo”. Os advogados afirmam ainda que não vão mais permitir registros em vídeo dos depoimentos de Flávio e uma reclamação foi apresentada ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) sobre o assunto.(BNews)

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