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PF investiga desvio de dinheiro e fraude na construção do Hospital de Campanha de Aracaju



A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (7), a Operação Serôdio que investiga desvio de verbas públicas, associação criminosa, corrupção, fraudes na licitação e na execução do contrato para montagem da estrutura necessária ao funcionamento do Hospital de Campanha de Aracaju.
Sete mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara da Justiça Federal de Sergipe, são cumpridos nesta manhã em Aracaju e Nossa Senhora do Socorro. Segundo a polícia, são procuradas provas da lisura de outras contratações concernentes ao referido hospital, a exemplo da rede de gases, rede elétrica e rede hidro sanitária. A operação conta com o apoio e a participação da Controladoria-Geral da União (CGU).
A empresa responsável pela montagem foi José Teófilo de Santana Neto Produções e Eventos, que pertence ao empresário Teo Santana, irmão do presidente da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), Luiz Roberto.
As investigações tiveram início a partir da análise do processo de contratação realizada pela CGU em conjunto com a PF, que constatou irregularidades que restringiram a competitividade do certame e favoreceram a empresa contratada.
O contrato investigado foi celebrado pela Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju, por meio de dispensa de licitação, e é custeado com recursos da União, envolvendo o montante de R$ 3.258.000,00, repassados ao município para o desenvolvimento de ações voltadas ao enfrentamento da pandemia de covid-19.
Fora solicitado à Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju cópia de todo o procedimento licitatório. Em resposta, após o terceiro pedido, e depois de Recomendação do Ministério Público Federal no sentido de que houvesse transparência nas contratações relativas ao covid-19, foi encaminhada vasta documentação contendo cópias de e-mails, orçamentos, propostas, termos de referência, justificativas e outros que, após minuciosa análise, revelou conter indícios de favorecimento a determinado empresário.
Durante a análise, a polícia identificou que a proposta vencedora continha as mesmas incorreções gramaticais de outras duas propostas. “É improvável que a mesma falha de redação tenha sido cometida por três redatores diferentes de três empresas diversas, o que pode configurar um indício de combinação entre as empresas para apresentar seus orçamentos”, afirma a polícia.
Segundo a PF, no procedimento licitatório foi desconsiderada a divisibilidade do objeto licitado, que envolvia a locação de cobertura e estrutura completa, a climatização das coberturas e a locação de contêineres. Os serviços foram agrupados, impedindo que licitantes oferecessem propostas separadamente para cada item. Essa decisão restringiu excessivamente a concorrência e elevou o custo da contratação.
Há ainda indícios de que a empresa contratada foi favorecida mediante aprovação de proposta em desacordo com o termo de referência da contratação. A proposta da empresa contratada apresentou estrutura de climatização insuficiente para o ambiente a ser instalado e, ainda assim, foi aprovada.
Além disso, Laudo Pericial produzido pela Polícia Federal apontou que a estrutura para implantação do hospital não está sendo executada conforme previsto no termo de referência.
Em exame realizado no Hospital de Campanha, os peritos federais identificaram as seguintes divergências: Utilização de piso de marca divergente daquela que foi especificada em termo de referência; Inexistência de instalações elétricas, hidráulicas, sanitárias, de dados e voz, sendo que – no projeto básico – havia previsão dessas instalações; O custo da locação de cada aparelho de ar condicionado por seis meses chega a quase três vezes o custo de sua aquisição; e Pé-direito mínimo inferior ao previsto em projeto básico.
O laudo pericial também indicou a existência de sobrepreço na locação da estrutura de climatização e na locação de containers.  / Por: Reprodução/PF-SE 

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