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Brasil perdeu 15% da superfície de água em 30 anos; veja números


 A área de superfície de rios, lagos e outros corpos abertos de água doce se reduziu em média em 15,7% no Brasil, entre 1991 e 2020, de acordo com dados divulgados, neste domingo (22), pelo projeto MapBiomas. O estudo indica tendência preocupante: obras de represamento criadas para aumentar o acesso a recursos hídricos não compensaram as perdas ocorridas nos cursos d’água naturais.

Nas três últimas décadas, a cobertura de 19,7 milhões de hectares desses corpos úmidos caiu para 16,6 milhões. As perdas aconteceram em todas as regiões, mas, somadas, equivalem a uma vez e meia toda a área de água doce do Nordeste.

Esse número, que saiu de imagens de satélite do programa Landsat, da Nasa, sobre o território brasileiro, compõe uma série de mapeamentos que cientistas ligados a ONGs e instituições de pesquisas no projeto vêm revelando nas últimas semanas.

Com detalhes sem precedentes, a equipe do MapBiomas produziu mapas mensais de todos os corpos de água doce do Brasil na forma de imagens de 9 bilhões de pixels em resolução de 30 metros por 30 metros. Isso foi feito mensalmente para toda a série histórica do Landsat, que se iniciou em 1985.

Os cinco primeiros anos do período são os únicos em que aparece uma tendência de aumento na área coberta por água no país. Entre um ano e outro, os números oscilam, mas de 1991 em diante, há uma tendência clara de ressecamento do território nacional.

Essa tendência de perda vale para oito de 12 regiões hidrográficas do país, aponta o MapBiomas, que a partir de hoje torna aberto e gratuito o acesso a seus dados.

O bioma que mais sofreu perdas em termos proporcionais foi o Pantanal, onde a superfície média de água caiu de 1,6 milhão para 0,6 milhão de hectares de 1991 a 2020, uma redução de 70%.

O problema está relacionado ao desmatamento da Amazônia — que alimenta com chuvas o bioma vizinho —, à mudança climática global, que compromete o regime pluvial local, e também a alterações locais em cursos d’ água, como pequenas barragens.

Nenhum bioma do Brasil tem mais água do que possuía há 30 anos. A Amazônia, que concentra o maior volume de água do país, reduziu sua cobertura hídrica de 11,6 milhões para 10 milhões de hectares, uma perda de 14%, sobretudo na bacia do Rio Negro.

A Caatinga, entre 2004 e 2009, chegou a ter um ganho de 13% de área hídrica aberta, com a construção de mais estruturas para captação de água. Mas secas nos anos seguintes provocaram uma queda de 30%, e hoje o bioma perdeu, em relação a 1991, 15% da cobertura de água.

Quando se observa o histórico de 30 anos da água no mapa do Brasil, as mudanças que saltam aos olhos são as poucas grandes barragens produzidas nesse período. A perda de água em cursos naturais, apesar de mais tênue, permeia quase todas as grandes bacias do país.

Por ser de importância estratégica para o planejamento energético do país, a nova ferramenta do MapBiomas levou em consideração recomendações da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com poder de mostrar uma tendência de longo prazo, os dados do MapBiomas são uma sugestão muito forte de que a atual crise hídrica que acomete o país não é um problema isolado no tempo e se tornará mais frequente.



 Por: Getty Images 

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