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 A perda de um pai, sem dúvidas, deixa um vazio no peito daqueles que já não têm mais um dos principais pilares de suas vidas. Entre dores e saudade, os que perderam seu genitor para a Covid-19 tentam traçar caminhos e formas de seguir sorrindo, apesar da imensa falta.

Para a jornalista e empresária Mariana Peixoto, 34 anos, pensar no Dia dos Pais sem o seu pai presente é estranho. "A partir de agora, para mim, será como um domingo qualquer, só mais um dia triste e cheio de lembranças".
 

              
Último registro da empresária Mariana Peixoto com o pai, Wellington Peixoto

O pai de Mariana, Wellington Peixoto, 62, faleceu pela covid-19 após contrair a doença em um hospital de Salvador.  “Em dezembro, ele precisou ir ao hospital para fazer um procedimento e lá contraiu a Covid. Não levou muitos dias e, infelizmente, ele não resistiu. Precisou ser intubado e não mais voltou. Que susto foi para nós. Pior ainda foi ter que enterrá-lo de caixão fechado, sem a oportunidade de se despedir" relatou Mariana.

A jornalista destaca que, por ser portador de uma comorbidade, seu pai tinha muito receio de contrair o vírus. Em razão disso, tinha cuidados redobrados." Ele tinha muito medo da Covid, não saia de casa por nada, acompanhava todos os noticiários e torcia pela chegada da vacina. Aí nós vemos como é a vida. Meu pai ‘fugiu’ tanto do vírus ‘aqui fora’, se protegeu de todas as formas, e justamente dentro do hospital ele foi contaminado", destaca a jornalista.

Apesar da tristeza, Mariana faz questão de ressaltar que o que fica são as boas lembranças e o orgulho que irá carregar pelo resto da vida. "Meu pai era 'o cara'. Valorizava demais os momentos ao lado dos filhos e de toda a família. Que sorte eu tive em poder conviver 33 anos da minha vida ao lado dele. Aprendi tanto, principalmente sobre a fé. Sua crença em Deus e dedicação em ajudar o próximo eram muito grandes. E isso, vamos carregar pelo resto da vida", afirma.

Mesmo com a vivência negativa, Mariana aproveita a oportunidade para fazer um apelo especial, de quem sentiu de perto a dor de perder um ente querido para a doença. “Acredito muito que a vacina salva vidas. Por isso, com a dor de quem viveu essa perda, peço que as pessoas continuem se cuidando, usando máscaras, higienizando as mãos e se vacinando. Acreditem na ciência. A vacina não chegou para meu pai, mas pode chegar a tempo de salvar alguém que você ama", apela a jornalista.

Acostumado com a presença do pai, o cantor Carlos José, 75, a partida deixou um vazio no peito do médico emergencista João Marcos Medeiros, que lembra com carinho dos ensinamentos deixados pelo ‘seu ídolo’ . "Meu pai foi uma das primeiras vítimas dessa triste doença. Nem mesmo o isolamento social e as orientações dos órgãos de saúde foram capazes de livrá-lo dessa doença. Hoje, o que fica é a saudade. Ele foi o maior exemplo que eu poderia ter na vida, com a sua bondade, seu caráter e seus valores, que foram fundamentais para minha formação e para que eu tenha me tornado quem eu sou hoje", ressalta João.


Dr. João Marcos Medeiros ao lado do pai, o cantor Carlos José

Após mais de um ano desde a partida, o médico percebe estar mais fortalecido, apesar de eventualmente viver dias de tristeza e luto. "A saudade continua grande. Mas, levo no coração tudo que ele me ensinou. Tenho certeza de que meu pai está em um bom lugar”.

Para esse Dia dos Pais, o profissional, que atua na linha de frente do combate à pandemia, faz questão de deixar um importante recado: "Mesmo com o avanço da vacinação e com todas as novas descobertas relacionadas ao vírus, é essencial que a gente continue seguindos todos os cuidados, para não correr o risco de perder mais pessoas que a gente ama.  Não dessa forma tão bruta".

De forma similar, o médico e especialista em reprodução assistida, Murilo Cezar Oliveira, 32, que perdeu seu pai em junho deste ano em decorrência de complicações ocasionadas pelo vírus, também fez questão de deixar sua homenagem nesse dia tão especial. "Meu pai foi muito mais que simplesmente a pessoa que participou da minha geração biológica. Meu pai foi a pessoa que eu acreditava ser a fonte de verdade, de justiça ... A minha referência! Ele me ensinou coisas que ninguém nunca ensinaria: os meus valores. Acima de tudo, a humildade, fazer o bem sem interessar a quem, me doar ao máximo em tudo que faço e buscar a felicidade sempre."
 


Médico Murilo Oliveira com seu 'grande herói', Manoel Silva de Oliveira

Murilo destaca que o luto o processo de luto muda a compreensão que temos sobre o mundo. "Primeiro vem o luto. Depois, fica a saudade. E, junto a ela, a certeza de que ele sempre continuará vivo dentro de mim! Esse vai ser o primeiro dia dos pais que passo distante dele (fisicamente, mas nunca espiritualmente). Uma complicação relacionada à covid o levou para um plano superior. Mas, quando eu fecho os olhos, eu sempre lembro dele... E a recordação que eu tenho é apenas da FELICIDADE que ele disseminava em todos os lugares que passava. Como já dizia o velho jargão: meu pai, meu herói", finaliza o médico.

Classificação Indicativa: Livre


Por: Arquivo Pessoal| João Marcos Medeiros  Por: Maiara Lopes

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