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Mensagens mostram que diretor do MS acusado de pedir propina negociou de forma informal com a Davati


 Suspeito de cobrar propina para negociar a compra de vacinas pelo governo brasileiro, o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, fez uma negociação paralela com representante da Davati Medical Suply, antes que a própria empresa apresentasse uma proposta oficial.

Mensagens obtidas pela Folha de S. Paulo revelaram que o militar exonerado no último dia 29 conversou com Cristiano Carvalho, representante da Davati no Brasil, e Marcelo Blanco, coronel da reserva e ex-assessor de Dias no Ministério da Saúde.

Luiz Paulo Dominguetti, que acusa o ex-diretor de Logística de ter pedido propina de US$ 1 durante uma negociação para aquisição de vacinas contra a Covid-19 da AstraZeneca/Oxford, é citado por Marcelo Blanco em uma das conversas.

Os registros mostram que as conversas tiveram início antes de qualquer aproximação oficial do governo Bolsonaro, que indicou uma vontade em garantir a celeridade do processo, bem diferente do que foi visto na negociação pela Pfizer, por exemplo.

No dia 3 de fevereiro, Dias entra em contato com Cristiano via WhatApp, às 19h10. Ele se apresenta como diretor de Logística do ministério e isso dá início a uma conversa. Dias chega a ligar para Cristiano e, quando não atende, pede que o representante da empresa retorne com urgência.

Já no dia seguinte, às 11h53, o representante da Davati envia a Roberto documentos com autorizações para dar continuidade à aquisição das vacinas. Pouco tempo depois, uma mensagem do empresário: "O preço ficou US$ 12,51 por dose FOB (Europa). Preciso da LOI e Gov Authorization".

Eles voltam a se falar no dia 9 de fevereiro, após insistência de Dias, que ligou três vezes para Cristiano, até ser respondido por áudio. Novamente, às 20h11, o então diretor do Ministério da Saúde telefona por mais duas vezes para o empresário. Sem sucesso, pede que ele retorne à ligação.

Roberto Ferreira Dias alega que as conversas são de conhecimento público e nunca foram escondidas. Segundo ele, o contato foi feito assim que soube da "existência do quantitativo de vacinas", para confirmar a existência do estoque.

Dias é responsável por aprovar e autorizar a reserva de R$ 1,6 bilhão para a aquisição da Covaxin, que é alvo do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid.

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Por: Anderson Riedel/PR 

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