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Dia do Trabalho: Especialistas indicam como conseguir um emprego em meio à crise econômica


 Com o Brasil amargando o recorde de 14,4 milhões de desempregados, não há o que celebrar neste 1º de maio, Dia do Trabalho. Para não deixar o desânimo tomar conta e mostrar que é possível conseguir se recolocar e entrar no mercado de trabalho mesmo em um período tão complicado que envolve ainda a pandemia de coronavírus, o BNews preparou essa matéria especial com dicas de especialistas em recrutamento e seleção de pessoas.

A primeira orientação para quem está em busca de um emprego é que foque na área em que pretende atuar para que possa identificar as oportunidades. “Se tenho determinada formação e conhecimento, vou direcionar meu currículo para as vagas em que tenho tais habilidades e competências. Atirar para todos os lados não adianta, pois não vou acertar em nada”, alerta o empresário e presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos - Seccional Bahia (ABRH-BA), Wladimir Martins. 

Ele cita que, caso o trabalhador queira mudar de área, precisa buscar conhecimento e desenvolver competências para ir atrás de oportunidades nesse novo segmento. Contudo, enfrentará uma concorrência maior, pois quem já é da área e possui experiência acaba saindo na frente.  

Para se diferenciar da concorrência, Martins indica que o trabalhador demonstre toda a sua energia na entrevista de emprego e vontade de estar naquela vaga. “Na hora da entrevista, é essencial demonstrar interesse, tudo o que pode agregar naquela função e, principalmente, mostrar que, mesmo mudando de atividade, está buscando novas frentes e se preparando. As empresas buscam isso nas pessoas: o engajamento”, pontua o presidente. 

Identifique suas qualidades

A psicóloga Eliane Dell Omo destaca que é primordial que as pessoas ressaltem suas qualidades quando estiverem buscando um emprego. Mais do que um nicho de mercado, ela afirma que o trabalhador precisa enxergar suas qualidades para poder ofertá-las. 

“Todo mundo tem diferencial, possui um DNA diferente, uma identidade diferente. Então, cada pessoa precisa descobrir qual é o seu diferencial e ressaltá-lo. Você tem algo a oferecer e, principalmente, você precisa acreditar nisso, pois isso traz força”, avisa Eliane. 

Um estímulo importante para o ser humano é o conhecimento. Muitas vezes, ele vem atrelado ao dinheiro, através de cursos caros. No entanto, a internet tem permitido que as pessoas encontrem eventos e capacitações de qualidade e gratuitas. 

Eliane lembra que é importante procurar informações sobre a reputação dos cursos, dos professores e das empresas que os oferecem. Ex-alunos são uma ótima fonte. “O dinheiro é importante, claro, mas se você não tem esse recurso, não se intimide, vá atrás. Você consegue algumas alternativas importantes através da internet”, acrescenta.

Wladimir completa que universidades oferecem alguns cursos básicos de curta duração gratuitamente, como a USP. “Se a pessoa não tem recurso, pode tentar uma pós nas universidades públicas. Há também no mercado bom cursos técnicos, com formação de dois anos que dão excelente capacitação, aprofundam mais, muitos deles sem custos, oferecidos até pelo governo. Eles são mais específicos e, para o currículo, as duas coisas serão boas. O mercado carece de mão de obra técnica”, assinala. 

Currículo atrativo

Para atrair a atenção dos recrutadores, não é preciso colocar nada mirabolante no currículo. Ele precisa ser claro e objetivo, ter no máximo duas páginas. Só devem ser colocadas as experiências relacionadas à vaga pleiteada. Se o profissional tiver habilidade e competência para disputar duas oportunidades em áreas distintas, deverá construir um currículo para cada uma, orienta o presidente da ABRH-BA.

O candidato deve ter cuidado ao colocar os dados pessoais, pois o currículo pode cair nas mãos de pessoas erradas e, se ele for contratado, a empresa pedirá esses detalhes no momento oportuno. No currículo, o ideal é colocar na parte de dados pessoais somente: o nome, idade, email profissional e bairro. Foto somente se for solicitado e é preciso ter cuidado com imagens sensuais, de roupas de banho, trajes esportivos.  

“O candidato deve escrever um parágrafo de duas a três linhas sobre o que está buscando, o seu objetivo. É um primeiro impacto, como se você estivesse se vendendo para quem está selecionando. Coloque a sua maior habilidade, destaque o que tem de melhor. Depois coloque suas formações e experiências. Há muitas opções de layout, mas o que mais importa é a objetividade das informações e a clareza. Atrativo é o conteúdo. O candidato jamais deve sempre falar a verdade no currículo e nas entrevistas”, elenca Wladimir. 

Não desista

Eliane recomenda que, por mais que a pessoa já tenha mandado uma infinidade de currículos e ainda não tenha conseguido um trabalho, ela não desista. “Tem algo, sim, importante para você fazer, você é uma pessoa diferente e o que você tem, ninguém tem. São essas qualidades que precisam ser exacerbadas, identificadas para que você chegue aonde você quer. Não se limite, não tenha preconceitos, vá atrás. Estamos em um momento no qual abrir as asas da imaginação, abrir as possibilidades, é muito importante”, argumenta. 

A psicóloga explica que, quanto mais o ser humano se trabalha para não desanimar, para todos os dias fazer algo diferente e que dê esse ânimo, ele conseguirá seguir em frente. Ela sugere a combinação de atividade física (há opções gratuitas), pois ajuda muito a se fortalecer e liberar energia, e de momentos de silêncio, nos quais a pessoa possa descansar, se acalmar. “Acalmar a mente e ativar o corpo são atividades fundamentais. Não desista, vá em frente. Temos um leque de possibilidades e um deles pode ser o seu”, reforça

Wladimir complementa que não adianta as pessoas ficarem olhando para os indicadores econômicos a todo o momento, pois isso só irá causar tristeza e desânimo. "Sempre tem oportunidade para os que querem seguir em frente. Para os que querem esperar a crise passar, a oportunidade não vai existir. Crise e oportunidade andam sempre juntas. O que alguns enxergam como bloqueio, outros encontram meios de se reinventar. Estamos falando desde 2014 sobre altos índices de desemprego", adverte.   /Agência Brasil  Por: Márcia Guimarães

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