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Bolsonaro pode trocar em um ano até oito ministros por causa das eleições 2022

 


Depois de promover a troca de seis ministros de seu governo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já tem anotada na agenda uma nova reforma ministerial que terá que colocar em prática daqui a um ano.

Em abril do ano que vem, deverá trocar cerca de um terço de seu ministério, já que sete ou oito dos 23 integrantes do primeiro escalão devem concorrer nas eleições 2022.

Pela legislação eleitoral, o ministro que vai disputar vaga de deputado, senador, governador, presidente ou vice-presidente tem que se desincompatibilizar da pasta que comanda seis meses antes das eleições, previstas para outubro.

Para enfrentar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Bolsonaro quer montar palanques fortes nas principais cidades do país, em especial no Nordeste, articulação que já está sendo colocada em curso.

Experimentados nas urnas, Tereza Cristina (Agricultura), Onyx Lorenzoni (Secretaria-Geral), Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), João Roma (Cidadania) e Flávia Arruda (Secretaria de Governo) são nomes elencados por ministros, parlamentares, presidentes de partido e assessores do Palácio do Planalto e de ministérios ouvidos pela Folha nas últimas duas semanas.

Mas também há ministros que ainda não passaram pelas urnas, como Ricardo Salles, do Meio Ambiente, Damares Alves, da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, e Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura.

Hoje, eles não têm filiação partidária. Pessoas relacionadas ao governo citam Salles e Damares como possíveis nomes para vagas na Câmara dos Deputados e Tarcísio, para governador do Distrito Federal ou até vice na chapa presidencial de Bolsonaro.

Inicialmente, Bolsonaro queria como parceiro alguém sem vínculos políticos para reduzir as chances de ser traído.

No entanto, a volta de Lula ao jogo político pode fazer com que o presidente mude seus planos para minar candidaturas de centro e evitar uma debandada de legendas do centrão, bloco que hoje está em sua base aliada, mas tende a se aproximar de quem considerar ter mais chances de vitória.

Interlocutores de Damares dizem que ainda não há qualquer previsão de que ela se candidate. Já quem conversou com Tarcísio nos últimos dias afirma que ele está convicto de que não disputará cargo algum e que, deixando o governo, quer passar um tempo na iniciativa privada.

Salles, que foi expulso do Novo em maio de 2020, deve se filiar ao partido que Bolsonaro escolher, já que o presidente não conseguiu criar o Aliança pelo Brasil.

Depois de trocar seu quarto mandato na Câmara pelo Ministério das Comunicações, em junho do ano passado, Fábio Faria (PSD-RN) não deve encarar as urnas no ano que vem, segundo duas fontes ligadas ao ministro.

Os demais integrantes do primeiro escalão que irão disputar um cargo ainda têm questões a resolver até a oficialização das candidaturas.

Derrotado ao tentar se reeleger deputado em 2018 depois de se desgastar com a relatoria da reforma trabalhista do governo Michel Temer (MDB), Rogério Marinho deve tentar o governo do Rio Grande do Norte ou uma cadeira no Senado —Casa que em 2022 só terá uma vaga por estado.

Marinho ingressou no governo Bolsonaro como secretário especial de Previdência e, depois, assumiu o Ministério do Desenvolvimento Regional, pasta de grande relevância política pelo volume de obras, especialmente no Nordeste, base do ministro.

Justamente por causa dessas obras Marinho vive em um cabo de guerra por orçamento com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que tenta preservar o teto de gastos públicos.

Diante da postura do PSDB de se manter independente do governo Bolsonaro, Marinho deixou a legenda quatro meses depois de ser alçado a ministro, em junho do ano passado.

"O fato de me encontrar desde fevereiro de 2019 investido no cargo de secretário especial e depois como ministro do governo federal me levou a um afastamento da vida orgânica do PSDB. Por essa razão, me desfilei do partido", disse Marinho, em nota, à época.

Até agora, não se filiou a outra legenda e as opções para uma nova filiação dependem do cenário local mais próximo da disputa.

Dois ministros que estão hoje no DEM também devem encarar as urnas no ano que vem. A expectativa é que Tereza Cristina (MS) tente um assento no Senado.

De acordo um integrante da cúpula do partido, porém, ela ainda precisa conciliar sua convivência na sigla em Mato Grosso do Sul com Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde que se tornou um dos principais críticos de Bolsonaro.

Mandetta é cotado internamente para integrar a chapa de uma candidatura de centro que vem sendo tentada para quebrar a polarização entre o presidente atual e o ex-presidente Lula.​Onyx Lorenzoni pretende disputar o governo do Rio Grande do Sul, mas o plano pode ser alterado se ele for convocado a coordenar a campanha presidencial de Bolsonaro.

Interlocutores do ministro dizem que, caso ele apenas seja chamado para ajudar nesta coordenação, é possível que tente conciliar as duas atividades.

Nos dois cenários, políticos ligados à cúpula do DEM acham inviável que ele continue no partido, que não pretende apoiar Bolsonaro no ano que vem.

Já João Roma, que teve seu nome ventilado para disputar o governo da Bahia, deve tentar a reeleição como deputado federal pelo seu partido, o Republicanos.

Se fosse buscar o comando do estado, Roma teria que enfrentar o ex-prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto, o ACM Neto, de quem era aliado até assumir o Ministério da Cidadania, em fevereiro deste ano.

Integrante do governo há cerca de três semanas, Flávia Arruda tornou-se ministra da Secretaria de Governo tida como a candidata de Bolsonaro ao governo do Distrito Federal. Ela é casada com o ex-governador José Roberto Arruda.

Pessoas próximas à deputada de primeiro mandato pelo PL, porém, dizem que ela pode tentar o Senado e que a definição de qual cargo majoritário irá disputar será feita somente mais adiante.

Em sua função atual, além de ter a responsabilidade de resolver pepinos com o Congresso, como é o caso do Orçamento 2021, que ainda não foi sancionado, Flávia comanda a pasta que faz a distribuição de cargos e emendas a parlamentares, papel de destaque em um ano pré-eleitoral.

Nenhum dos ministros citados na reportagem quis dar declarações sobre suas pretensões eleitorais em 2022.

Folhapress

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