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Saiba como prestar os primeiros socorros em casos de acidentes e situações inesperadas com o pet


 Ter um pet traz muitas responsabilidades. Apesar de tomarmos todos os cuidados, sabemos que situações inesperadas, como um acidente doméstico ou uma briga com outro animal, podem acontecer. Em momentos como estes, segundo a médica veterinária Flávia Sampaio, os primeiros socorros podem ser úteis e evitar complicações futuras.

No entanto, a especialista em atendimentos de urgência alerta: "Esses cuidados são importantes e não excluem a necessidade de levar o pet ao atendimento médico veterinário com brevidade". Confira abaixo as recomendações da médica veterinária em algumas situações:

Esgasgos
Primeiramente, manter a calma e tentar abrir a boca do animal para retirar o objeto que está esgasgado, caso não consiga pode-se tentar um procedimento que também fazemos em humanos: Manobra de Heimlich, que consiste em abraçar o animal pelas costas, apoiar as mãos sobre a porção final da cartilagem do tórax, sendo uma em concha e a outra aberta por cima e fazer o movimento de puxar bruscamente para trás e para cima, várias vezes até o animal reagir e expelir o motivo do engasgo.

Caso não tenha sucesso leve imediatamente para emergência veterinária. É importante lembrar que existem muitas situações que parecem engasgos, mas na verdade podem ser outros problemas, como alterações cardíacas, colapso de traqueia, espirro reverso ou até gripe.

Queimaduras
Deve-se lavar o local afetado pela queimadura com solução fisiológica ou água fria, secar delicadamente com gaze e passar pomada cicatrizante. Caso tenha sido muito extensa e/ou profunda, é necessário levar ao médico veterinário para realizar o debridamento e bandagem corretamente e fazer suporte contra dor, inflamação, infecção e desidratação. Nesse caso, realize o transporte o mais rápido possível, mantendo-o com uma compressa fria na região para alívio da ardência.
 
Queda
Depende da gravidade, se foi algo leve e o pet continuar aparentemente bem, é importante colocar ele para andar e tentar perceber se está mancando de alguma pata e se a consciência e postura estão normais. Caso tenha batido a cabeça ou tenha sido algo mais grave, é importante levar ao médico veterinário com brevidade para realizar exames físicos e, às vezes também de imagem, para investigar prováveis consequências fisiológicas dessa queda.

Durante o transporte é necessário manter o pet o mais imóvel possível, se puder consiga algo tipo uma maca rígida, e se houver fraturas tente imobilizar o membro com uma tala improvisada sem apertar muito. Em caso de fraturas externas deve-se colocar um pano limpo sobre ferida para conter o sangramento e evitar contaminação. 

Feridas e cortes
Em casos de feridas simples, basta limpar com solução antisséptica e passar uma fina camada de alguma pomada cicatrizante.
E se for um corte mais extenso e/ou profundo, é importante que o médico veterinário avalie para realizar a sutura, se for necessária. 
Lembrar sempre de manter o pet com o colar elizabethano até a completa cicatrização, senão ele vai lamber a lesão e prejudicar o tratamento.  

Convulsão
Primeiramente, é necessário explicar como se apresenta um quadro de convulsão: o animal apresenta incoordenação, cai e deita de lado, realiza movimentos de “pedalagem”, estica o pescoço para trás, se urina e defeca involuntariamente, perde a consciência, fica com respiração ofegante e salivação intensa. 

Sei que deve ser uma imagem assustadora ver seu pet convulsionando, mas antes de tudo deve-se manter a calma, segurar a cabeça para não bater forte, afastar móveis e objetos pontiagudos e basicamente acalmá-lo e esperar passar. É interessante que mantenha a cabeça um pouco inclinada para o lado e para baixo, para evitar que ocorra engasgo com saliva. Lembrando que não é indicado tentar puxar a língua, pois você pode se machucar. Procure um médico veterinário o mais breve possível, para investigar as possibilidades de causas e realizar o tratamento adequado. 

Envenenamento ou intoxicação
Corra para o médico veterinário em caráter de emergência. Sem perder muito tempo, vale a pena realizar procedimentos que reduzam a absorção das toxinas, como provocar o vômito (usando água oxigenada diluída em 1:1), administrar carvão ativado por via oral, mas caso não o tenha, a clara de ovo por ajudar.

Chegando ao atendimento veterinário, informe sobre o provável agente tóxico e serão realizados os procedimentos como fluidoterapia intravenosa e aplicações de medicamentos reversores. É necessário lembrar que existem intoxicações por venenos, plantas, medicamentos, chocolate, uva, cebola, produtos de limpeza, bebidas alcóolicas, drogas ilícitas, etc. 

Picadas por animais peçonhentos 
Não é incomum acontecerem acidentes de pets picados por aranha, abelha, escorpião, serpente, etc. Novamente o ideal é correr para o atendimento médico veterinário, levando o máximo de informações sobre qual foi o animal peçonhento responsável pela picada.

Durante o transporte é importante higienizar o local da picada e colocar uma compressa fria para reduzir edema e manter o pet bem quieto, pois a agitação pode fazer com o que veneno circule mais rápido na corrente sanguínea. Se possível, mantenha o local da picada abaixo do nível do coração. Aqueles procedimentos antigos como fazer torniquetes no membro, cortar ou furar o local da picada para retirar o veneno são totalmente contra-indicados.   

Briga (como apartar?)
O ideal é evitar que aconteçam as brigas, logo não permita que animais não amigáveis fiquem no mesmo ambiente, e durante o passeio fique atento a qualquer mínimo sinal de possível ataque e já carregue o seu pet no colo, reforçando a importância da guia nessas situações. 

Caso a briga já esteja acontecendo, o primeiro passo é tentar fazer barulhos altos, como bater panelas para distrair a atenção dos animais. Porém muitas vezes, eles já estão bem concentrados nas mordidas e precisamos partir para manobras de intervenção, tentando ao máximo manter a energia calma e assertiva. Suas atitudes vão depender da gravidade da situação, com relação ao tamanho e à agressividade de cada animal, mas seguem as dicas.

Jogue um pano sobre a cabeça do animal agressor ou dos dois e vá jogando água lentamente sobre o pano, e então faça o principal: levante as patas traseiras e segure como um carrinho de mão, assim que sentir que ele soltou gire para o lado, evitando que ele vire para lhe morder. Logo após o susto, leve imediatamente os animais para uma emergência veterinária, para avaliar o seu estado de saúde. 

Outras dicas importantes são: castre os animais para evitar brigas por disputas de territórios (inclusive as fêmeas); evite gritar e bater neles, pois isso só vai atiçar ainda mais; não tente colocar a mão na boca para abrir, pois é certo que vai sobrar mordida para você; não adianta jogar jato de água ou extintor de incêndio, pois geralmente não surte muito efeito. 

Montando um kit de primeiros socorros em casa
A veterinária também ensina que é possível montar um kit com itens essenciais para oferecer um suporte básico em casos de emergência com os pets. Ela reforça que todo o material deve ser mantido em um recipiente limpo, organizado, em temperatura ambiente e de fácil acesso. O tutor também deve observar os prazos de validade e viabilidade para uso.

Focinheira – para evitar possíveis mordidas durante a manipulação, pois muito provavelmente o pet reaja à dor como forma de defesa.
Luvas de procedimento – para fornecer segurança contra contaminações. 

Atadura e esparadrapo – para ajudar a fixar os curativos.

Gaze estéril – para auxiliar a limpeza de feridas ou de mucosas.

Solução fisiológica – para realizar a limpeza de feridas não infeccionadas e mucosas como olhos e genitais, caso apresentem secreção.

Solução antisséptica (por exemplo, à base de clorexidina) – para limpeza de feridas infeccionadas.

Água oxigenada – para limpeza de algumas feridas e também como estimulante do vômito, em casos de intoxicação. 

Carvão ativado – para administrar em casos de suspeita ou certeza de que o pet possa ter ingerido algum produto tóxico. Importante frisar que só deve ser forçado, caso o pet esteja consciente e com capacidade de deglutição, senão pode acabar fazendo falsa via. 

Pomada cicatrizante e antibiótica – para tratar feridas infeccionadas.

Tesoura sem ponta – para cortar as ataduras e os pelos quando for necessário.

Pinça – para auxiliar na retirada de algum espinho ou larvas em casos simples.

Seringa sem agulha – para auxiliar na administração de medicamentos e fornecer água e/ou alimento forçado, se necessário. Lavar bastante antes e depois de usar.

Termômetro – para aferir a temperatura retal e verificar situações de febre.

Analgésicos e antipiréticos – para serem administrados de forma segura em momentos necessários, lembrando de ter em mente a dose adequada para o peso do(s) seu(s) pet(s). A substância mais segura nesse caso seria a Dipirona, de preferência a veterinária, pois tem a formulação específica os animais e sabor um pouco menos adstringente.

Medicamentos antieméticos e protetores gástricos – para administrar em casos de vômitos, para evitar a progressão do quadro. Nesse caso é de suma importância buscar orientações do veterinário que acompanha o seu pet.

Medicamentos contra diarreia – para serem administrados em casos de mudança de textura das fezes e reduzir os riscos de progressão. Reforçando novamente a questão da dose correta e da necessidade de buscar atendimento médico veterinário o mais breve possível, pois alterações gastrointestinais podem ser sinais de diversas doenças, logo não adianta só tratar o sintoma, o correto é investigar suas causas. 

Redação BNews


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