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Réu pelo assassinato do marido, Flordelis segue no mandato de deputada e faz festa de aniversário em sua igreja


 A deputada federal e pastora Flordelis dos Santos (PSD-RJ) comemorou seu aniversário de 60 anos no palco de sua igreja em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, como se não houvesse um inquérito contra ela. Flordelis é apontada como mandante da morte do marido, Anderson do Carmo, em junho de 2019. Protagonista de uma história tanto tétrica quanto mirabolante, a parlamentar do PSD se tornou ré na Justiça em agosto passado, mas segue firme na vidinha de parlamentar, religiosa e cantora, com fé na expectativa de que a providência divina vai livrá-la dessa. “Eu perdi meu marido de forma trágica. E entreguei tudo na mão de Deus. O meu oculto e escondido pertencem a ele. E tudo vai vir à tona na hora dele”, profetizou do púlpito, na sua festa, segundo apurou à Revista Veja.

No plano terreno, ela procura alinhavar alianças políticas para se salvar na Câmara e, ao mesmo tempo, se mexe para evitar a derrocada de sua igreja: a comemoração, no único dos seis templos do Ministério Cidade do Fogo ainda em funcionamento, começou com uns trinta gatos-pingados e só acabou com cerca de 150 (no espaço cabem 1 000) porque um pastor amigo alugou um ônibus e convocou seus paroquianos para a festa. Nem a prometida “Santa Ceia”, composta de estrogonofe de frango e bolo de sobremesa, atraiu os fiéis. Aglomeração, pelo menos, não houve.

Dois meses depois de ser indiciada, a deputada Flordelis teve um pedido de afastamento da função encaminhado ao Conselho de Ética da Câmara. Por causa da pandemia, o órgão não estava funcionando, e assim permaneceu o ano todo. Agora, nem existe: com a mudança da mesa diretora, novos integrantes têm de ser indicados, o que só deve acontecer no fim do mês. Enquanto isso, embrulhada na sacrossanta imunidade parlamentar, Flordelis segue desfrutando imóvel funcional, salário de 33 700 reais, dois carros, passagens aéreas e consultoria de mídias sociais, utilíssima na preservação de sua arranhada imagem.

Também faz questão de cultivar boas relações com o poder, tecendo elogios nas redes sociais, entre outros, ao presidente Jair Bolsonaro e ao deputado Arthur Lira. Ao lado deste, apareceu em uma foto comemorando a vitória de seu nome para a presidência da Câmara. “Vencemos. Agora a Câmara terá voz”, proclama a postagem. Em julho, quando Michelle Bolsonaro foi diagnosticada com Covid-19, manifestou sua solidariedade à primeira-dama, também evangélica, exibindo foto das duas juntas. Com o mesmo Lira e mais dezenas de congressistas, visitou a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e o Palácio Guanabara, onde se encontrou com o governador em exercício, Cláudio Castro. Flordelis espera que a proximidade com figuras importantes impeça que a Câmara a afaste — e o histórico da Casa, reticente a punir integrantes, conta a seu favor. Mas sua presença em atos públicos é classificada como “constrangedora” por parlamentares ouvidos por VEJA. “Lira é uma raposa felpuda da política, não vai se queimar por causa dela”, afirmou um ex-­aliado da deputada.


 Por: Câmara dos Deputados 


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