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Operação Faroeste: Juiz usou analfabeto como laranja para despistar dinheiro de venda de sentenças, diz MPF


 Preso desde novembro de 2019 pela Operação Faroeste, o juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio usava um analfabeto como laranja para evitar ser rastreado pela polícia, segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

Ronilson Pires foi apontado como operador financeiro do magistrado e chegou a ter pedido de prisão preventiva expedido no fim do ano passado, revogado posteriormente pelo ministro Og Fernandes.

As investigações indicam que as contas de Ronilson eram utilizadas para dificultar o rastreiro do dinheiro proveniente da venda de sentenças judiciais, principal objeto de investigação da Operação Faroeste.

Conversas interceptadas pelo MPF mostram que o juiz pediu que os valores fossem depositados na conta de Ronilson. A Justiça determinou a quebra de sigilo, que revelou o recebimento de R$ 1,2 milhão por transferências bancárias de outros dois investigados no âmbito da operação, Ricardo Augusto Tres e Walter Yukio Horita.

A investigação, contudo, comprovou que Ronilson era somente um "pobre laranja", que estava sendo utilizado pelo magistrado para que ocultasse práticas ilícitas, junto com Gilcy de Castro Dourado Junior, que era o chefe de Ronilson.

No cumprimento de uma das fases da operação, em dezembro do ano passado, a polícia descobriu que Ronilson vivia em uma condição de "extrema pobreza", em uma casa com outras cinco pessoas e somente dois quartos, muito humilde e quase sem mobília.

Ao MPF, ele contou que trabalhava para Gilcy Junior e ajudava em atividades diversas, desde ficar no posto de combustível de sua propriedade, quanto como caseiro em uma fazenda. Segundo Ronilson, ele e Junior são primos e ele recebe R$ 600, além de ter a moto antiga abastecida.

Ronilson alega que sabe que Júnior é "braço-direito" de um juiz de Barreiras e que recebe alguns papéis para assinar com frequência, mas não sabe do que se trata pois não foi alfabetizado.

Ele diz nunca ter tido uma conta bancária, que só veio a ser aberta para receber o auxílio-emergencial do Governo Federal. No entanto, nunca chegou a receber nenhuma parcela. O valor estaria sendo utilizado pela esposa de Júnior, Lidiane Oliveira Maciel.

Quando o juiz Sérgio Humberto Sampaio foi preso, a PF encontrou um veículo na sua garagem registrado no nome de Lidiane. De acordo com a investigação do MPF, ela teria relação próxima na Orcrim.   /Por: Arquivo/BNews 

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