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Economista ex-diretor do Banco Central diz que "se BC não subir juros, inflação sairá do controle"


 O ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central e atual estrategista-chefe da Wealth High Governance (WHG), o economista Tony Volpon, voltou aos Estados Unidos e está olhando o Brasil com outros olhos. Durante entrevista ao Correio Braziliense ele afirmou que acredita que a economia brasileira conseguirá crescer bem neste ano, apesar dos tropeços do governo no processo de vacinação e do fato de os casos e as mortes pela covid-19 continuarem em níveis assustadores.

Para Volpe, a retomada da economia, inclusive, vai ajudar a pavimentar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro em 2022. Mas, para que isso ocorra, o governo deverá, primeiro, passar a defender o processo de imunização. “Bolsonaro precisa apoiar o processo de vacinação. Se ele, ou qualquer outro gestor público, não fizer isso, estará praticando suicídio político. Portanto, o governo tem que avaliar bem. Sem vacinação, não tem retomada da economia”, afirma o economista, que foi um dos primeiros a prever a recessão de 2015 e 2016.

O economista aposta que há chances de o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançar 4% ou 4,5% neste ano, apesar de uma queda inevitável no primeiro trimestre. Contudo, para que esse processo de retomada se consolide, o governo não poderá abandonar a agenda de reformas estruturantes que ajudariam no ajuste fiscal, que ficou de lado durante a pandemia e pouco avançou desde a reforma da Previdência. Nesse contexto, a reforma tributária é a mais urgente. “Dada a gravidade das crises sanitária, econômica e social, precisamos de uma ponte entre o Orçamento de guerra e um Orçamento que obedeça à regra do teto de gastos”, afirma.

No entender de Tony Volpon, o Banco Central já deveria ter iniciado o aumento na taxa básica de juros (Selic), atualmente em 2% ao ano, menor patamar da história, o que torna o juro real negativo, espantando investidores e pressionando o dólar. “"Se BC não subir juros, inflação sairá do controle. A política monetária precisa ser ajustada, e a incerteza fiscal é o ponto chave. O problema fiscal do Brasil é estrutural  e sempre existiu. Com a covid-19, virou pandêmico”, destaca Volpon ao Correio Braziliense.  / Por: Divulgação 


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