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Gloria Groove diz que cultura drag é sua armadura para viver no atual contexto político


 "A gente avançou, mas ainda precisa muitos espaços", afirma Gloria Groove, 25, em conversa com F5, por videoconferência. Conhecida por sua atuação política engajada dentro da cultura drag e no cenário musical há quase seis anos, a cantora assume um novo papel e diz teve como inspiração sua própria mãe.

Groove apresenta o novo título original da Netflix, "Nasce uma Rainha",que terá Alexia Twister, 35, como coapresentadora –o reality estreia nesta quarta-feira (11). Ela conta que apesar do contexto atual político e a forte onda conservadora, não se sente intimidada. "Ser uma drag queen me libertou, mudou a minha vida, me deu um propósito. É como se fosse a minha armadura para viver nesse contexto."

"Quando paro para pensar, eu bate essa loucura: 'Eu sou uma drag queen neste país e neste momento'. Apesar de tantos dados alarmantes no meu país, consigo fazer um trabalho que leva a gente em direção à mudança", diz o artista.

Relatório do GGB (Grupo Gay da Bahia), divulgado no primeiro semestre deste ano, aponta que 329 LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) tiveram morte violenta no Brasil, vítimas da homotransfobia, em 2019.

É com o mesmo tom de reflexão que o reality dividido em seis episódios com duração média de 40 minutos cada, tem como proposta; a tolerância. Trazendo um personagem diferente a cada episódio, a produção nacional mostra a jornada de autoconhecimento e evolução artística individual dos participantes. Para isso, eles contam com apoio das madrinhas Groove e Twister.

Guardada como devidas proporções, "Nasce uma Rainha" tem dinâmica simular ao reality Queer Eye, que recentemente a Netflix anunciou que produz uma versão brasileira da atração americana. E se insere universo cada vez mais amplo de dar voz às drag queens, travestis e transexuais nos espaços culturais.

O mais tradicional deles é o sucesso mundial de RuPaul Charles com suas realidades que tem conquistado cada um mais um diverso público. No Brasil, Drag Me as a Queen, do canal E!, foi um dos primeiros a entrar nesse universo com apresentação das drag queens Penelopy Jean, Rita Von Hunty e Ikaro Kadoshi.

"Eu não tenho receio de ser comparada com o RuPaul, porque é uma honra. Ela é a maior, é um divisor de água para a cultura drag, então o menor dos meus problemas vai ser a comparação", brinca Groove sobre possíveis comparações entre as duas atrações.

Em "Nasce Uma Rainha", Groove e Twister abordam também a importância das madrinhas na vida de uma drag queen. Compartilhando dicas, vivências e truques "mágicos", como dois mostram não apenas a trajetória profissional, mas também a busca pessoal da autoaceitação e do apoio familiar –que, em muitos casos, são rejeitados pela família.

Ao entrar nesse ponto, groove conta que diferente da maioria das drags, o início de sua jornada foi um pouco solitário. "Comecei a me montar em 2014, naquela época em que RuPaul era uma grande febre. A minha primeira amiga drag foi uma internet, foi até um pouco solitário. Eu através dos vídeos, comprava as minhas coisas, a presença das madrinhas só aconteceu em 2015, quando começou a divulgar meu trabalho."

Groove também afirma que conhece o Twitter há menos cinco anos, quando ela participou de seus primeiros videoclipes, como "Dona" e "Império". Elas não esconde uma admiração por outra e afirma que essa parceria resultou em uma sinergia que será notada pelo telespectador. "O nosso casamento foi potente em frente como câmeras", diz Groove.

Veterana do cenário drag paulistano, Alexia Twister, conta que sua experiência de bastidores das boates LGBTQI+, possibilidadeou que perspectiva distinta dentro do programa. "Sou de outra época, era coisa de aprendiz. Tinha que encontrar um drag que topasse te ensinar como era a maquiagem, o processo, os shows ao vivo. Mas eu aprendo muito com como arrasta mais novas, o aprendizado não termina só porque você tem 69 anos de carreira", brinca

Twister diz ainda que e linguagem do programa foi uma novidade para ela. "O mais interessante é utilizar como nossas experiências. É impossível ser arrastar sem passar por esse lugar de se redescobrir, e de quebrar alguns paradigmas no que é conhecido como 'o que é de menina, de menino' e tudo mais."

Perguntadas sobre a representatividade drag nas mídias, Alexia Twister e Gloria Groove compartilham da mesma opinião: "o processo é lento, mas segue firme". "Ressaltar a mulher é uma coisa relativamente nova, e mega importante. A arte arrasta os eua o feminino para expressar a arte, mas também amplia, a gente discute papéis sociais. E isso é necessário, estamos caminhando", diz Twister.



Por: Reprodução / Instagram @gloriagroove  Por: Folhapress

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