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Média mensal de mortes por câncer de próstata na Bahia é a maior dos últimos dez anos


 São muitos os tabus e preconceitos que ainda surgem quando o assunto é o exame para a detecção do câncer de próstata. Infelizmente, a falta de um diagnóstico precoce levou a óbito 27,4 mil homens entre janeiro de 2010 e agosto de 2020, de acordo com dados do Datasus, do Ministério da Saúde, analisados pelo BNews nesta quinta-feira (29). O número corresponde a uma média de sete mortes a cada dia em todo o país.

Na Bahia, entre janeiro de 2010 e dezembro de 2019, ou seja, nos últimos dez anos completos, a média mensal de mortes decorrentes do câncer de próstata, por pacientes tratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), foi de 15 registros. Se observada apenas a média de 2020, até agosto, é possível perceber que o valor cresce para 18 óbitos mensais.

Com isso, o estado ocupa a quinta colocação no ranking nacional entre os que tiveram maior número de mortes por causa da neoplasia maligna de próstata, atrás de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.

Ainda na Bahia, o câncer de próstata é o quarto tipo de neoplasia maligna que mais leva pacientes à morte. Em primeiro lugar aparece o câncer de mama, seguido do câncer de estômago. A terceira colocação fica com o câncer de traquéia, brônquios e pulmões. Em 10 anos, as mortes por câncer de próstata no estado sofreram variação positiva de 70%.

Novembro Azul
O movimento chamado de ‘Novembro azul’ surgiu na Austrália, em 2003, aproveitando as comemorações do Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, que acontece em 17 de novembro. No Brasil, a campanha acontece para quebrar o preconceito e incentivar que homens façam o exame de prevenção da doença.

O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens e, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é que sejam registrados, em 2020, 6.130 novos casos da doença na Bahia. Em Salvador, o número de novos casos será de 1.090 até o final deste ano.

De acordo com o urologista Dr. Frederico Mascarenhas, é necessário que se tenha um diagnóstico precoce da doença, como forma de possibilitar uma melhor chance de tratamento. Além disso, uma boa e eficaz forma de prevenção é manter hábitos de vida saudáveis.

“Existe uma controvérsia sobre a idade em que se devem recomendar os exames de rastreamento, mas em geral, esta é uma indicação para pacientes entre 40 e 50 anos, principalmente em casos de parentes próximos que tiveram diagnóstico de câncer na próstata”, explicou o especialista.

A idade é um dos fatores que aumentam o risco de incidência da doença, que cresce gradativamente após os 50 anos. “Temos também, o excesso de gordura de corporal, além da questão genética e a exposição a aminas aromáticas, comuns nas indústrias química, mecânica e de transformação de alumínio, arsênio, que é usado como conservante de madeira e como agrotóxico, bem como produtos de petróleo, motor de escape de veículo e outros”, disse.

Sintomas
Entre os sinais e sintomas que podem contribuir com a detecção, estão a dificuldade em urinar, diminuição de jato de urina, maior necessidade de urinar, além do sangue na urina, que já aparecem em um estado mais avançado da doença.

“Isso porque, em fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa”, apontou. Em geral, o câncer pode ser identificado com a combinação de dois exames, a Dosagem de PSA e o toque retal.

De acordo com Dr. Frederico Mascarenhas, após haver a detecção, pensar no tratamento ideal para a doença é imprescindível. No entanto, a escolha do método mais adequado deve ser individualizado e definido entre médico e paciente, após discutirem os riscos e benefícios de cada um à disposição.

“Em situações em que a doença atinge apenas a próstata, é recomendada a cirurgia, radioterapia e até mesmo, uma observação vigilante. Em situações de doença avançada, tanto a radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal têm sido recomendadas. Já em quadros mais críticos, de doença metastática, o mais indicado é a terapia hormonal”, afirmou.

Mitos e verdades
Diante deste cenário, o especialista reforçou a importância de estar atento aos mitos e verdade sobre a doença. Entre os mitos, a impressão que o câncer de próstata sempre apresenta sintomas. Isso porque, a doença pode ser instalada sem que haja qualquer tipo de manifestação de sintoma, o que resulta em diversos casos diagnosticados quando a doença já está em estágio avançado.

Outro mito é que o PSA [Antígeno Prostático Específico] aumentado é sinal de câncer de próstata, uma vez que a alteração pode indicar outros fatores, por isso, o acompanhamento por um profissional urologista é importante.

“Entre as verdades está a maior incidência do câncer de próstata em afrodescendentes. É preciso ter um cuidado redobrado com o acompanhamento médico nestes casos, já que os pacientes se enquadram em um grupo de risco e podem apresentar até 60% mais chance de desenvolvê-lo”, disse o especialista.

“Outra verdade é que a atividade física regular ajuda na prevenção e tratamento. Isso acontece não apenas com o câncer de próstata, mas com tantas outras doenças. A atividade física é um dos principais aliados da população e pode contribuir para que o câncer de próstata não se manifeste”, explicou o médico Frederico Mascarenhas.

Além dos pontos já citados pelo médico, o fator hereditariedade é algo que aumenta o risco de desenvolvimento da doença. Um parente de primeiro grau com a doença duplica a chance de um diagnóstico positivo. Dois familiares com a doença aumentam essa chance em cinco vezes. “Por isso, o recomendado para quem tem casos na família, é procurar um urologista a partir dos 45 anos”, ressaltou.  / Por: Agência Brasil 

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