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PT admite largar atrás de Boulos nas redes sociais, mas aposta em histórico na eleição de São Paulo

 

O PT admite que larga atrás de Guilherme Boulos (PSOL) nas redes sociais, mas aposta em seu enraizamento na cidade de São Paulo para tornar-se a principal força opositora de esquerda na eleição municipal.

"Ele [Boulos] tem a vantagem de ser mais ativo nas redes sociais, ter mais seguidores, mais repercussão. Ele é uma novidade. Mas nós somos um partido maior, mais enraizado", diz o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), vice na chapa encabeçada por Jilmar Tatto.

Confirmado na quarta-feira (16), poucas horas antes do encerramento do prazo legal para as convenções partidárias, Zarattini vê como fragilidade do rival de esquerda o fato de não ter nem 30 segundos de tempo de TV.

PT e PSOL, afirma o vice de Tatto, disputarão o posto de principal força de oposição a tucanos e aos bolsonaristas na cidade. "Tem uma rejeição grande ao [presidente Jair] Bolsonaro na cidade, e maior ainda ao [governador João] Doria. Quem for capaz de se posicionar melhor sobre essa rejeição vai crescer mais."

O bolsonarismo na eleição deve ser representado por Celso Russomanno (Republicanos), e Doria está atrelado à candidatura à reeleição de Bruno Covas (PSDB).

Zarattini coloca Márcio França (PSB) disputando em parte esse papel de opositor, por seu embate com Doria. Mas o ex-governador deu demonstrações de conciliação com o presidente.

O PT à princípio não pretende fazer ataques diretos a Boulos, que tem incomodado o partido por ter conseguido obter apoio em figuras importantes da esquerda, inclusive ex-integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A ordem de não polarizar com o PSOL está mantida, segundo o candidato a vice.

"Vai crescer quem for mais eficiente no enfrentamento político a Covas e Bolsonaro. Boulos não governa. Não tem o que brigar com ele", diz.

Zarattini e o adversário psolista se encontraram casualmente na manhã de quinta-feira (17) numa manifestação de movimentos sociais pela duplicação da Estrada do M'Boi Mirim, na zona sul da capital. "Tivemos uma conversa amistosa, só não demos abraço porque na pandemia não pode", diz.

Reservadamente, no entanto, petistas afirmam que a situação pode mudar caso o candidato do PSOL surja à frente de Tatto nas próximas pesquisas. O PT considera que perder a primazia na esquerda paulistana seria um desastre.

Zarattini foi uma opção de última hora para a vaga de vice, depois que fracassou a tentativa do PT de encontrar uma mulher para compor a chapa. Os nomes citados acabaram sendo descartados por questões jurídicas, recusas a sondagens ou baixo apelo eleitoral.

"O PT é um partido que sempre teve a ideia da diversidade, de dar espaço para mulheres, negros. Seria uma coisa muito importante para nós, mas não se chegou a um nome que traduzisse essa ideia, infelizmente", declarou.

Sua presença na chapa, afirma Zarattini, tem como objetivo reforçar o discurso político. Ele é líder da minoria no Congresso Nacional, responsável pela estratégia da oposição em temas como Orçamento, por exemplo.

"As pessoas não estão conseguindo pagar aluguel, é desesperador. Vamos ter a favelização aumentando na cidade, mais moradores de rua. E tem o problema da saúde, que é eterno em São Paulo. Há uma crise econômica, vamos apresentar propostas sobre isso", diz.

Com a nomeação de Zarattini, a chapa passa a ter duas pessoas identificadas com a questão dos transportes, que ocuparam a secretaria da área em governos petistas na cidade. Ele e Tatto reivindicam paternidade sobre o Bilhete Único.

"É uma chapa forte na área de transporte, mas a gente vai ter de trabalhar também outros temas, o desemprego, o subemprego, a baixa renda", afirma ele, que disputou internamente a indicação para ser o candidato com o próprio Tatto.

Zarattini diz que as divergências entre os dois são apenas políticas, não pessoais. "A gente tem uma disputa, mas não chegamos ao ponto de ter rompimento, briga", diz.

A agenda de campanha ainda está sendo montada, e terá de levar em conta a pandemia, afirma. Por isso, a presença em eventos de rua de Lula, que tem 74 anos, ainda é incerta. Já o ex-prefeito Fernando Haddad deve ter uma atuação mais frequente. 


Por: Ricardo Stuckert/Divulgação

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