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Para 51%, escritórios são locais seguros contra a Covid, mas só 31% pretendem voltar ainda em 2020



No momento em que boa parte da população já retomou as atividades e que medidas de prevenção contra o coronavírus, como o uso de máscaras e distanciamento físico, ainda são obrigatórias –empresas que descumprirem as regras estão sujeitas a sanções–, a opinião pública se divide em relação ao retorno.
Levantamento da agência de comunicação Edelman com 3.400 pessoas em sete países (EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Índia, Coreia do Sul e Singapura), feito no fim de agosto, mostrou que 51% consideram os escritórios um ambiente seguro, mas apenas 31% se dizem prontos para voltar neste ano.
Não há consenso, na pesquisa, sobre quem deve definir o retorno: se as autoridades de saúde (22%), os governos nacionais e locais (21%), os próprios trabalhadores (18%), ou os diretores e gerentes das empresas (14%). A margem de erro é de 1,67 ponto para mais ou menos.
A maior taxa observada de pessoas que pretendem voltar presencialmente ao ambiente de trabalho está na Coreia do Sul, onde 61% disseram estar prontos. O país tem, por outro lado, o maior percentual (83%) de pessoas que temem uma segunda onda, 15 pontos acima da média global.
O uso das máscaras é a medida mais politizada nos EUA, cujo ambiente de polarização se assemelha ao brasileiro: a obrigatoriedade é defendida por 53% da população; por 44% entre os republicanos e por 63% entre os que se declararam democratas.
Para 57% dos entrevistados, é importante manter o distanciamento estrito. Para isso, alguns escritórios precisam se readequar e remodelar seus espaços de trabalho, afirma Monica de Bolle, economista e pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional e professora da Universidade Johns Hopkins.
"Os escritórios vão ter que pensar em como se remodelar, como impor o distanciamento físico em espaços exíguos, quais os planos de retorno, se todos vão poder voltar de uma só vez ou se será em fases. Isso tudo deve ser planejado", diz.
Outras medidas apresentam percentuais semelhantes de confiança: 45% concordam em reduzir o número de pessoas nos escritórios, 44% em medir a temperatura de todos os funcionários e 40% em limitar todas as idas não essenciais ao escritório.
Especialistas recomendam, além de máscara e do distanciamento, a higiene frequente das mãos e dos ambientes compartilhados. E, se possível, o desligamento de aparelhos de ar-condicionado –janelas abertas são uma opção melhor, explica Leonardo Weissmann, infectologista do Hospital Emílio Ribas e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Ele seguere que gestores façam treinamentos com os funcionários para explicar as medidas de higiene e proteção adequadas.
O retorno ao trabalho esbarra ainda no uso de transporte público. Apenas 29% dos entrevistados avaliam que ônibus e metrôs sejam seguros, taxa inferior à observada para viajar de aviões (33%). Mesmo assim, 25% responderam que andariam de ônibus, se necessário, nos próximos três meses.
Para De Bolle, persiste a expectativa por uma "solução mágica", como a vacina. "Existem muitos desafios a serem enfrentados antes que as pessoas estão deixando de lado. Não sabemos nem se a vacina será eficaz e, se for, se o efeito será duradouro. Nesse tempo, os escritórios e as empresas vão ter que aprender a conviver com o retorno ao trabalho ainda com o vírus."
Dentre os entrevistados, 36% afirmaram que não tomariam o imunizante ou não têm certeza se tomariam, mesmo se gratuito. No Brasil, pesquisa do Datafolha indicou que 9% não tomariam a vacina.
"Existe uma parcela que surfa nessa onda do direito liberal e tem desconfiança com a vacina, e pensa 'se os outros tomarem, por que eu preciso tomar também?' Esses argumentos são extremamente complicados quando a gente pensa na volta ao trabalho", diz De Bolle.
A pesquisa aferiu ainda que a imprensa tradicional é a principal fonte de informação sobre a pandemia para 54% dos participantes, seguida pelos governos nacionais (40%).
Médicos pessoais e empresas de saúde aparecem como as fontes mais críveis –apenas 8% dizem contestar informações que venham apenas deles–, enquanto as redes sociais têm a menor credibilidade, contestadas por 37%. A imprensa tradicional é contestada por 13%, e os governos, por 12%.
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O QUE FAZER NA VOLTA AO ESCRITÓRIO
Com a volta ao ambiente de trabalho, algumas medidas de higiene e proteção devem ser seguidas para diminuir o risco de contágio do coronavírus:

Treinamento da equipe
Os diretores da empresa e o setor de recursos humanos devem fazer um treinamento com todos os seus funcionários explicando todas as medidas adotadas pela empresa e reforçando o compromisso de cada um em adotar tais medidas

Higiene das mãos
A empresa pode colocar totens de álcool em gel na entrada do prédio ou escritório, para os funcionários higienizarem as mãos assim que chegam ao local de trabalho, além de disponibilizar outros dispensers nos andares e até deixar um frasco de álcool na mesa de cada funcionário

Uso de máscaras
O uso de máscaras deve ser obrigatório durante todo o tempo de trabalho, e os empregadores devem reforçar o uso adequado das máscaras, isto é, cobrindo nariz e boca e sem vãos. Caso preferir, a própria empresa pode fornecer as máscaras, evitando assim problemas de máscaras inadequadas ou muito frouxas

Distanciamento físico
É importante manter o distanciamento físico entre os funcionários. É possível que escritórios tenham que readequar as mesas dos funcionários, mantendo-os a uma distância mínima de 1,5m

Renovação do ar
Os aparelhos de ar-condicionado podem levar à transmissão do vírus, uma vez que o ar circulante é o mesmo. É preferível manter todas as janelas abertas para renovação do ar durante todo o tempo de trabalho. Caso não seja possível, a limpeza dos aparelhos e o uso de filtros específicos que impedem a circulação do vírus são recomendados

Desinfecção dos ambientes e higienização
Uma equipe de limpeza deve higienizar e desinfetar os ambientes pelo menos uma vez ao dia. Antes e logo após usar uma sala compartilhada, a mesma deve ser limpa. É importante manter também banheiros e outras áreas de uso comum limpas e manter o uso da máscara até mesmo nesses ambientes.

Fonte: Leonardo Weissmann - Sociedade Brasileira de Infectologia   /Por: Pixabay 

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