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Com números abaixo aos de SP, Argentina inicia relaxamento nas regras de isolamento social



A pós cumprirem por quase dois meses as rígidas regras de isolamento social, por causa da pandemia de coronavírus, os argentinos começam a ensaiar uma volta à vida normal. Na semana passada, foi feito o primeiro relaxamento nas medidas, e alguns estabelecimentos comerciais e indústrias puderam novamente abrir as portas.
No entanto, presidente Alberto Fernández determinou a prorrogação do isolamento social, preventivo e obrigatório até o dia 24 de maio. Autoridades locais, no entanto, têm autonomia para definir quais atividades e serviços podem voltar a funcionar, sob algumas condições. As regras são distintas para cidades com mais de 500 mil habitantes e para a região metropolitana de Buenos Aires.
Segundo informações da revista Veja, o relaxamento só foi possível devido às medidas adotadas antecipadamente e aceitas pela população. A Argentina mal havia entrado nas estatísticas da doença (mas já tinha as fronteiras fechadas), com 128 casos confirmados e três mortes, quando, em 20 de março, foi decretada a quarentena, cumprida à risca pela maioria dos 45 milhões de argentinos, sob pena de prisão ou multa equivalente a 7 mil reais.
Para os departamentos (equivalentes aos estados brasileiros) com até 500 mil habitantes, o governador poderá autorizar novas atividades com a aprovação prévia das autoridades sanitárias. Para a retomada das atividades, é necessário que o tempo de duplicação de casos de covid-19 não seja inferior a 15 dias; que o sistema de saúde tenha capacidade suficiente para dar respostas a uma potencial demanda; que as autoridades sanitárias avaliem positivamente os riscos sociais e sanitários em relação à densidade populacional; que o percentual de pessoas dispensadas do isolamento não ultrapasse os 75% da população do estado e que não haja transmissão local ou comunitária no estado.
Nos departamentos com mais de 500 mil habitantes (com exceção da região metropolitana de Buenos Aires), somente atividades com protocolo de segurança validado pelas autoridades nacionais podem ser autorizadas. A duplicação de casos de novo coronavírus deve ocorrer dentro de um período não inferior a 25 dias. Apenas serão liberadas atividades cujos empregadores garantam a transferência dos trabalhadores sem o uso de serviços públicos de transporte (ônibus e metrô).
No caso da região metropolitana de Buenos Aires, autoridades podem solicitar ao chefe do gabinete de ministros que autorize exceções para atividades industriais, de serviços ou comerciais. O empregador também terá que providenciar meios de deslocamento dos trabalhadores. Nos últimos 15 dias, 83% dos municípios argentinos não registraram casos de covid-19. Todos os casos confirmados nas últimas duas semanas estão nos 17% dos municípios restantes, onde vive 41% da população total. Atualmente, o tempo de duplicação dos registros de covid-19 na Argentina é de 25 dias, e a maior proporção de casos (mais de 85%) está em grandes centros urbanos.
Permanece ainda proibida a volta às aulas em todos os níveis de ensino, bem como a realização de eventos públicos e privados sociais, culturais, recreativos, esportivos e religiosos, a abertura de centros comerciais, teatros, cinemas, bibliotecas, museos, bares, restaurantes, academias, clubes, além de atividades turísticas e frequência em parques ou praças.
O decreto de Fernández mantém a possibilidade de saídas para "espairecer" por 60 minutos, em um raio de até 500 metros de casa, em pequenas cidades. E continua proibida a entrada no país de cidadãos estrangeiros não residentes na Argentina.
Na última quinta-feira (14), a Argentina tinha quase 7 mil  casos confirmados e mais de 340 mortes e registrava 60% dos leitos vagos nas UTIs, este um requisito essencial para o relaxamento social. Com tais resultados, aparecia em décimo lugar no balanço do contágio entre 22 países latino-americanos, que tem Brasil como primeiro.
Em comparação ao estado de São Paulo, que tem uma população parecida, registra sete vezes menos contaminados e dez vezes menos mortes. Dados que levaram ao presidente argentino a classificar o Brasil como um risco para o continente. “O Brasil é um grande risco para a região”, declarou Fernández.
*com informações da revista Veja e da Agência Brasil

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