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Ato antidemocrático com Bolsonaro teve ajuda de assessores e ex-auxiliares de políticos



A manifestação de domingo (3) com pautas antidemocráticas, na qual jornalistas foram agredidos em meio a discurso do presidente Jair Bolsonaro em Brasília, foi mobilizada por grupos religiosos e pró-intervenção militar, além de assessores e ex-auxiliares de políticos bolsonaristas.
Um dos movimentos de apoio ao ato foi o acampamento "Os 300 do Brasil", montado em Brasília. O grupo tem entre os organizadores o assessor parlamentar Evandro de Araújo Paula, lotado no gabinete da deputada federal Bias Kicis (PSL-DF), e é liderado pela militante Sara Winter, que se declara ex-feminista e aderiu às fileiras do bolsonarismo.
O grupo montou um acampamento em frente ao estádio nacional Mané Garrincha. Em posts atribuídos a eles, em redes sociais, o movimento pede adesão de pessoas que estejam dispostas a passar por um treinamento com especialistas em "revolução não-violenta e desobediência civil", técnicas de "estratégia, inteligência e investigação" e instrução sobre "táticas de guerra de informação".
Os interessados são informados que devem se apresentar à base para depois serem encaminhados para um "QG" secreto, para onde não podem levar celulares. Uma vaquinha virtual foi montada para arrecadar fundos. Até o meio da tarde desta terça-feira (5), haviam sido arrecadados R$ 57,3 mil. Em seus posts, o grupo usa expressões como "venha para a guerra".
O acampamento acabou sendo desmantelado pela Polícia Militar. Membros de outros movimentos disseram que o grupo está agora baseado em uma chácara no entorno de Brasília.
Apontada como principal líder, a militante Sara Winter chegou a atuar no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves. Winter —cujo verdadeiro nome é Sara Fernanda Giromini— vem sendo acusada nas redes de seguir a ideologia nazista.
Em um post nas redes sociais, publicou a foto de uma reunião em que teriam sido discutidos assuntos do grupo. Na foto aparece Evandro de Araújo Paula, assessor da deputada bolsonarista Bia Kicis.
"Estou só ajudando de forma administrativa esse movimento a acontecer. Estou fazendo contato com as caravanas, conversando com as lideranças, acionando as lideranças em grupos de WhatsApp para a gente manter esse contato", disse.
A deputada Bia Kicis afirma que não tem nenhuma ligação com os "300 do Brasil".
"O meu assessor é uma pessoa livre, um cidadão livre. Ele esteve lá, ajudou o pessoal, mas já se afastou”, disse a deputada. “Ele não faz parte do grupo, até porque eu pedi pra ele, apesar de ser livre, eu falei 'é melhor ficar distante disso'."
​Outra pessoa presente na foto postada por Winter é Desiré Queiroz, que atuou com Damares na equipe de transição, embora não tenha sido nomeada para o ministério.
Em breve nota, o ministério informou que "[a ministra] as conhece dos movimentos pró-vida. Sara Winter foi exonerada a pedido. A ministra não tem qualquer relação com os movimentos citados".
A Folha fez contato na manhã desta terça-feira com Sara Winter, que pediu para retornar a ligação à tarde. No horário combinado, ela pediu que as perguntas fossem enviadas por email, o que foi feito. Até a publicação da reportagem, as respostas não haviam sido enviadas.
Outro movimento que participou ativamente de convocações foi o "Direita Conservadora", liderado pelo psicólogo e ativista político Wagner Cunha, de Uberlândia (MG).
Figura recorrente em manifestações, no domingo ele discursou no trio elétrico ao lado de Cibelle Rodovalho, prima do ex-deputado federal Robson Rodovalho, líder da Igreja Sara Nossa Terra, um dos principais apoiadores de Bolsonaro no meio gospel.
Num vídeo em que chama público para o evento, postado no Facebook, Cunha aparece em uma transmissão com Cibelle e defende que Bolsonaro use as Forças Armadas para destituir ministros do Supremo.
"O Bolsonaro, como chefe das Forças Armadas, comandante supremo, pode afastar temporariamente os ministros do STF. Ele afasta e instaura o Superior Tribunal Militar para julgar esses ministros pelos crimes contra a nação brasileira. Inclusive, agora, o Alexandre de Moraes, o Lex Luthor, acabou de cometer um”, diz. / Por: Reprodução/Redes Sociais  Por: Folhapress*

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