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Corpo de baiano desaparecido Brumadinho foi achado por família: 'Rastejou na lama'

(MOISÉS SILVA/O TEMPO/ESTADÃO CONTEÚDO)
Cansados de esperar por notícias do mecânico Ednilson Santos Cruz, 23 anos, parentes do baiano, nascido em Santo Amaro, no Recôncavo baiano, contrariaram a ordem das equipes de resgate e foram em busca dele, que estava desaparecido desde o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, na sexta-feira (25).
Os responsáveis pela busca foram o irmão e o tio de Ednilson, que entraram em um matagal em busca do milagre de encontrar o jovem com vida, o que não aconteceu. Os parentes encontraram o corpo do mecânico na última segunda-feira (28), junto com outros três, presos na lama. Todos foram levados para o Instituto Médico Legal da cidade.
Pai de Ednilson, Edmilson Evangelista da Silva, 42, torcia para que sua intuição não estivesse certa. Ao CORREIO, ele admitiu que já esperava encontrar o filho sem vida.
“Quando soube, da maneira como aconteceu, onde pessoas estavam, não tinha condições de ninguém sobreviver, seria um milagre. Já trabalhei lá e já tenha noção do estrago que poderia causar caso a barragem se rompesse”, lamentou.
O pai do mecânico, que está na cidade mineira de Monte Carlos, a cerca de 8 km de Brumadinho, onde trabalhava e foi demitido há três meses, conta que as equipes de resgate tentaram impedir que um irmão e um tio de Ednilson entrassem na mata, por uma questão de segurança, mas eles não obedeceram à ordem. "A intuição mandava a gente iniciar a busca por conta própria e foi o que eles fizeram”, contou. 
Sem querer ver o que já esperava, Edmilson preferiu aguardar o retorno dos familiares. 
“Não tive coragem de ir até o local, mas pela foto que vi, deu para perceber que ele rastejou na lama, em busca de ajuda. Se as equipes de resgate tivessem chegado lá no mesmo dia, muita gente teria saído com vida", acredita.
"Muita gente ficou presa na lama. Por isso, os corpos ficaram à beirada da mata. Além do meu filho, eles encontraram outros três corpos. Um deles estava debaixo de uma árvore”, completou ele.
Sonho que virou pesadelo
Ednilson morava há 10 anos em Mário Campos. O pai dele contou que levou o filho para Minas Gerais para dar uma vida melhor ao rapaz.
“Ele estava desempregado e veio para cá para ir atrás dos seus sonhos. Ele queria ter uma condição financeira melhor para a filha que está prestes a nascer. Ele tinha muitos sonhos. Queria comprar um carro, uma casa e estudar medicina na Argentina”, lamentou ele que mora na região há 22 anos.
Ednilson era funcionário de uma empresa terceirizada, que prestava serviços para a Vale. O jovem era casado e a esposa dele está grávida de uma menina. 
Ele foi enterrado na cidade de Mário Campos, nesta terça-feira (29). O pai dele contou que o sepultamento foi custeado pela Vale. Contudo, de acordo com Edmilson, a empresa ainda não procurou a família para falar sobre a tragédia.
Outros baianos desaparecidos
Além Ednilson, outros seis baianos ainda estão sendo procurados: Alex Mário Moraes Bispo, 22 anos, Ademário Bispo, 51, George Conceição de Oliveira, Tiago Coutinho, Carlos Augusto Santos Pereira, 49 anos, e Cássio Cruz Silva Pereira, 27. 
Todos eles trabalhavam em uma empresa terceirizada da Vale, responsável pela barragem, e estavam lá no momento do rompimento da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão. O boletim mais recente divulgado pela Defesa Civil, na manhã desta quarta-feira, aponta que, além dos 84 mortos, a tragédia deixou outras 276 pessoas ainda desaparecidas. Dos corpos encontrados, a Polícia Civil informa que 51 já foram identificados
Daniela Pereira é esposa de um dos baianos desaparecidos. Ainda sem notícias do marido, com quem mora há 3 anos em Minas Gerais, ela conversou com o CORREIO e reclamou da  ausência de informações e falta de apoio oferecido pela Vale. 
Fonte: Correio*

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